Sistemática e biogeografia histórica de Diptera: sobre a evolução de mutucas e grupos afins

Charles Morphy Dias dos Santos

Universidade Federal do ABC, Centro de Ciências Naturais e Humanas, Rua Santa Adélia, 166 Bairro: Bangu, Santo André, São Paulo, Brasil.

* charles.santos@ufabc.edu.br

Apoio Financeiro: CNPq, UFABC

O grupo taxonômico sob escrutínio é a infraordem Tabanomoprha (Diptera, Brachycera), que tradicionalmente inclui as famílias Rhagionidae, Athericidae, Tabanidae, Vermileonidae, Pelecorhynchidae e Oreoleptidae. Análises filogenéticas utilizando caracteres morfológicos de adultos têm mostrado que a constituição da infraordem é um pouco diferente do que vem sendo considerado na literatura. Uma nova proposta de definição de Tabanomorpha sensu stricto, baseada em análises da maior amostragem de dípteros dessa infraordem já utilizada para a reconstrução das suas relações de parentesco, mantém as famílias Austroleptidae, Rhagionidae, Oreoleptidae, Athericidae e Tabanidae dentro dos limites de Tabanomorpha, posicionando o gênero Pelecorhynchus entre os Rhagionidae monofiléticos e excluindo os Vermileonomorpha e os “Xylophagomorpha”. Em termos biogeográficos, a origem pangéica dos Tabanomorpha é suportada, com uma radiação subseqüente após a quebra da Pangéia em Laurásia e Gondwana. No entanto, ainda há muito a compreender sobre as relações filogenéticas e a evolução biogeográfica das mutucas e grupos afins. Não obstante, é importante salientar que algo como um “parâmetro de realidade” deve ser buscado para validar os grupos taxonômicos apresentados nos cladogramas. A proposta aqui é utilizar hipóteses biogeográficas consilientes para medir o grau de robustez das filogenias. A congruência de uma hipótese filogenética com hipóteses biogeográficas consilientes pode indicar que um dado padrão obtido é um cenário significado para se entender a evolução do grupo biológico estudado.

Palavras-chave: Evolução, Filogenia, Tabanomorpha