Diversidade, comportamento e conservação de peixes com ênfase em estudos subaquáticos realizados no Brasil

GIBRAN, Fernando Z.

Universidade Federal do ABC, CCNH, Rua Santa Adélia 166, 09210-170, Santo André, São Paulo, Brasil

fernando.gibran@ufabc.edu.br

Os chamados “peixes” constituem um grupo parafilético que reúne pouco mais da metade de toda diversidade conhecida de vertebrados. No mundo todo são cerca de 28 mil espécies, em sua maioria pertencentes ao grupo monofilético dos Actinopterygii (96%). Ao longo dos 8.000 km de extensão da costa brasileira são conhecidas cerca de 1.300 espécies, enquanto que nos ambientes de água doce temos perto do dobro ou mais dessa diversidade. Em ambientes marinhos costeiros consolidados temos a predominância dos Perciformes, enquanto que nos ambientes de água doce dominam os Ostariophysi. Desde a invenção do equipamento autônomo de respiração para mergulho SCUBA houve um surto de informações sobre ecologia e comportamento de peixes tropicais, principalmente relacionadas à grande diversidade encontrada. No Brasil, estudos subaquáticos sobre peixes tiveram significativa proliferação desde a década de 90, envolvendo comparações faunísticas, biogeográficas, observações etológicas e/ou censos visuais para amostragens qualitativas e quantitativas in situ sobre riqueza, diversidade, composição, estrutura de comunidades e avaliações dos efeitos da pesca ou da importância de áreas de preservação, além de estudos ecomorfológicos (que integram ecologia, morfologia e evolução). A sobrepesca, poluição, destruição física dos hábitats naturais, introdução de espécies exóticas e alterações climáticas globais são os fatores que mais afetam negativamente os peixes e ambientes marinhos. Por outro lado, temos na América do Sul a maior diversidade de peixes de água doce do planeta, com destaque para as espécies de pequeno porte (i.e. aquelas com até 15 cm de comprimento total quando adultas) habitantes dos riachos e cabeceiras e altamente dependentes da vegetação adjacente para a obtenção de alimento – neste último aspecto, a redução das matas ciliares, o assoreamento, o desvio dos cursos naturais de água (para irrigação ou devido à construção de hidroelétricas), somados com a sua contaminação por resíduos químicos (provenientes da agricultura e pecuária), são os fatores mais preocupantes.

Palavras chave: Região Neotropical, peixes marinhos costeiros, peixes de riachos.