Pigmentos biológicos como candidatos a assinaturas biológicas para Astrobiologia

ALABÍ, Letícia P.1*; BORECKY, Jiri.2; KRONENBERGER, Thales.3; GALANTE, Douglas.4; RODRIGUES, Fabio.5; LAGE, Claudia A.S..6; LIMA, Ivan G.P.7;

1, 2, 3 UFABC - Universidade Federal do ABC. Rua Santa Adélia, 166. Bairro Bangu. Santo André - SP – Brasil

4 Universidade de São Paulo, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, Departamento de Astronomia. Rua do Matão, 1226 Cidade Universitária/ Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Rua: Giuseppe Máximo Scolfaro, 10000. Pólo II de Alta Tecnologia de Campinas. Bairro Guará. Campinas – SP

5 Universidade de São Paulo, Instituto de Química, Departamento de Química Fundamental. Avenida Professor Lineu Prestes, 748 bloco 4 inferior, sala 0417 Cidade Universitária 05513-970 - Sao Paulo, SP - Brasil

6, 7 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, Programa de Biologia Molecular e Estrutural. CCS - BLOCO G - SALA G0-031 ILHA DA CIDADE UNIVERSITÁRIA

*leticia.alabi@gmail.com

Apoio Financeiro: AstroLab - Laboratório de Astrobiologia, INCT-MCT INEspaço, CNPq, FAPESP, UFABC/bolsa Iniciação.

Apresenta-se o presente projeto no recente esforço da comunidade científica brasileira de estabelecer um novo ramo de pesquisa no Brasil conhecido como Astrobiologia. Ciência que resulta da junção de diversas áreas tradicionais, como Biologia, Química, Física, Astronomia e Geologia, entre outras, para buscar respostas a questões que dificilmente poderiam ser respondidas independentemente, relativas à origem e evolução da vida na Terra, às influências do ambiente astrofísico nesse processo, e, eventualmente, sua existência em outros ambientes biofílicos do Universo. A formalização da colaboração entre esse grupo em crescimento e a Universidade Federal do ABC vem consolidar os esforços multi/interdisciplinares brasileiros na área. Um dos primeiros projetos a serem desenvolvidos pela equipe será o de estudar o ambiente antártico como análogo ao ambiente gelado marciano. Os desafios impostos na Antártica para a vida são similares aos encontrados em Marte: baixa temperatura, alta incidência de radiação (devido ao buraco na camada de ozônio e ao influxo de partículas pelo pólo magnético) e baixa disponibilidade de água líquida. Esses ambientes, especialmente quando ricos em sais, como sulfatos [6], podem representar ambientes capazes de fornecer um micro-nicho biofílico em Marte [7, 8]. Compreender como organismos vivos são capazes de lidar com essas condições e quais são as estratégias biológicas utilizadas poderá ampliar nosso conhecimento de ambientes extremos, possibilitando uma extrapolação para o ambiente marciano. Uma parte importante do trabalho estuda experimentalmente resposta de microrganismos e comunidades microbianas antárticas a um ambiente de alta radiação UV e ionizante. A radiação é um dos fatores mais deletérios do ambiente astrofísico para organismos vivos, já estando demonstrado que outros fatores como o frio ou o vácuo [9] são suportáveis por diversas espécies. Tão logo insere-se aqui as diversas estratégias biológicas que foram selecionadas pela vida na Terra para lidar com essa radiação, como, por exemplo, os pigmentos biológicos (estratégia física) e os mecanismos de reparo gênico (estratégia bio-molecular). A radiação particulada pode ainda ter uma profundidade de penetração na matéria muito maior, dependendo de sua energia [10], atingindo microrganismos que estejam protegidos sob o solo, rochas ou depósitos salinos em superfícies expostas. Para a realização dos experimentos de irradiação planejados é necessário conhecer de forma acurada e detalhada os processos de interação da radiação no substrato de interesse, bem como os mecanismos de fotoproteção. Na presente pesquisa, concentrou-se na utilização de pigmentos como radio-protetores. Alguns resultados prévios serão mostrados, porém mais testes ainda precisam serão feitos.

Palavras chave: bioastronomia, bioassinaturas, pigmentos fotoprotetores